segunda-feira, 4 de abril de 2011

A corrupção de um puritano




Estava a andar meio errante, sem nada a falar e nada a demonstrar. Sozinho comigo mesmo, semblante imutável, apenas pensando. Na ilusão do conhecimento humano, pensava na metafísica além do além.
Não era nada como a existência de Deus. Isso é teoria de cada um. Não tenho nada com isso. Imaginava se havia alguma maneira de explicar coisas que aconteceram em nossa história, coisas do cotidiano.
Eis que me sentei em um banco num parque. Beleza que transparecia suavidade. Um lugar ideal para se pensar. Sentado à beira de um lago comecei: “Porque as pessoas tanto complicam a vida e deixam de apreciá-la?” E é verdade. Eu era a prova real. Com tantas coisas a resolver, eu, logo eu, que sempre gostei do simples e do natural, estava a ignorar o que realmente importa e a me consumir por insignificâncias.
Talvez sejamos bons demais para deixarmos de lado coisas assim, como um dia ensolarado em um parque. Talvez sejamos responsáveis demais para relegar o dinheiro ao seu ínfimo valor. Dinheiro...
O verdadeiro vilão. O que ora se tem e ora não se tem. É rápido, arisco, liso. Finos grãos de areia ou nuvens sobre as quais tentamos pousar quando estamos a cair do mais alto ponto do Everest de nossas vidas, mas elas se revelam leves demais para nos amparar na descida.
Eu me via conivente. Deixei-me corromper diante de uma difícil situação. Ocultei-me de decisões por ser minoria. Hoje sinto a necessidade de ser perdoado por um crime do qual me considero culpado.
Culpado de não ter tentado, culpado de ter feito o fácil. Perdi o que me era importante, perdi o que fazia de mim tão raro.
Um puritano podia me considerar, mas ante as seguidas chuvas de raios e trovões, não achei nuvem que agüentasse o peso, em minhas costas, posto. Puritano: “Homem de grande rigidez de princípios”, “Que pertence ou é relativo aos puritanos, genuíno, puro.”
Cheguei à pergunta mais importante: “Existe ainda algum ser humano bom neste mundo?” No meu sincero profundo, tendo visto que me surpreendo a cada dia com coisas que me fogem, às vezes, ao entendimento, acho que não existem homens puros neste mundo.




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