Abespinhado, jaz aqui um coração,
Que chora desordenado, sem pudor,
Como se de mundana tragédia fosse ator
Coadjuvante, figurante dos dias que seguirão.
É impossível que tudo se alinhe,
Tampouco que nenhuma coisa se definhe.
Mas que minh’alma caminhe em passo lento,
Para aliviar este grande sofrimento!
E se, por infortúnio, perder-se o fulgor,
Se entrarem as chagas e ficarem lá dentro,
Será isto bom sinal, eu me contento,
Pois serão cicatrizes de amor.
No final, contudo, não será de muito valor,
Pois nem um centavo vale em leilão.
Vou, para sempre, sustentar a dor,
Deste abespinhado, pranteante coração.

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